Existem duas linhas de astrologia. Uma é chamada Tropical e a outra Sideral. A Tropical é a que se pratica no ocidente enquanto que a Sideral é a que por milhares de anos se utilizou na Índia e na cultura Védica. Embora ambas estudem os mesmos planetas, a maneira de calcular o posicionamento deles e diferente. Isso porque existem dois zodíacos. A diferença hoje entre ambos é de 24 graus ou mais. O zodíaco Sideral Védico permite ver a posição dos planetas em termos das constelações, grupos de estrelas que formam as figuras de Áries, Touro, Gêmeos e assim por diante. O zodíaco Tropical ocidental calcula os posicionamentos dos planetas em base aos signos, que embora tenham os mesmos nomes que as constelações (Áries, Touro e assim por diante) não são em si mesmo as constelações. Por exemplo, quando se diz que o Sol entra no signo de Áries, dia 21 de Março, se nesse dia um astrônomo estiver utilizando um telescópio para ver o posicionamento do Sol, dirá que está em 6 graus de Peixes, faltando 24 dias ainda para entrar na constelação de Áries.
Ora, uma vez que os planetas ficam fortes ou fracos em diversas constelações sendo este estudo feito milhares de anos antes que se inventasse o Zodíaco dos signos (Tropical), os Astrólogos védicos utilizam o zodíaco Sideral para ver quais planetas ficaram fracos e quais remédios podem ser sugeridos. Isto porque Astrologia védica assim como o Ayurveda remontam a uma época bem anterior à da invenção do Zodíaco dos signos (que aconteceu uns dois ou três séculos depois de Cristo)
Assim, astrologia védica tem métodos para tentar amenizar os efeitos prejudiciais dos planetas que possam estar em constelações negativas a eles. Entre estes métodos, encontramos o uso de pedras preciosas para os planetas, mantras para os planetas, florais e ervas, rituais e penitências feitas no dia do planeta, sementes de Shiva (Rudrakshas) e orações aos Avataras de Vishnu.
Uma vez que cada um dos planetas está relacionado com um dos doshas segundo o Ayurveda, quando o planeta está afetado no momento do nascimento de uma pessoa ele vai agravar o dosha relacionado. Por exemplo, Saturno está relacionado com o dosha ou biótipo Vata (Vento). Afetado no momento do nascimento, Saturno vai causar agravamento de Vata em diversas fases da vida da pessoa. Então, ao dar o remédio para Saturno, quando a influência negativa deste diminuir, naturalmente os distúrbios de Vata diminuirão.
O mesmo pode se dizer dos outros doshas. Marte afetado aumentará o biótipo Pitta (Fogo). Aumentado, esse fogo poderá se manifestar no corpo, nas emoções ou pensamentos das pessoas. Ao melhorar Marte com os remédios astrológicos o Pitta agravado dela também se atenua.
Astrologia e Medicina estiveram andando lado a lado desde o começo da história. É dito que o pai da Medicina, Hipócrates, não contrataria um médico assistente que não soubesse astrologia. O vidente Nostradamus aprendeu astrologia na Universidade de Medicina de Montepellier, na França, onde astrologia era matéria obrigatória no curso. Até hoje em dia, no Tibete, no primeiro ano da faculdade de medicina Tibetana, os estudantes no primeiro ano precisam estudar ambas as matérias (Astrologia e medicina) e somente no segundo ano podem escolher uma delas.
Segundo Ayurveda existem sete tecidos fisiológicos no corpo humano, conhecidos estes como Sete Dhatus. E cada um desses corresponde a um dos 7 planetas principais. Trabalhando como astrólogo ayurvédico nos últimos 7 anos e atendendo os clientes e pacientes de médicos ayurvédicos como o Dr. Ruguê (principalmente) verifiquei que quando um planeta está debilitado no mapa natal a pessoa que o tem nesse posicionamento apresenta um ou alguns problemas específicos na saúde. Centenas de atendimentos ao longo destes anos mostraram, mediante estatísticas, essa relação entre cada planeta e algum tecido ou parte do corpo. Como resultado dessa observação, publiquei o livro: “Astrologia Comportamental Ayurvédica” que já se encontra prestes a sua terceira edição.
Ora, astrologia védica sugere o uso de pedras preciosas, mantras e rituais para equilibrar algum planeta que, no momento do nascimento de uma pessoa possa se encontrar em estado de debilitação. A seguir, mencionarei o uso das pedras preciosas e sua relação coma saúde e os planetas assim como a aplicação na medicina Ayurvédica. Começamos pelo primeiro dia da semana, o Domingo.
Domingo esta sob a influencia do Sol (SUN DAY ou dia do Sol como se chama Domingo em Inglês) O Sol rege o sistema circulatório, coração e a visão Também está vinculado com a cabeça e com o “plexo Solar”. O Sol afetado no momento do nascimento indica um desequilibro do elemento fogo, conhecido como Pitta no Ayurveda. Verifiquei que as pessoas que tem o Sol debilitado apresentaram problemas circulatórios, varizes, olhos vermelhos e secos, problemas de pressão arterial, colesterol ou triglicerídeos altos, problemas de visão e no coração. Algumas pessoas tinham dores de cabeça ou enxaquecas.
A pedra preciosa que corresponde ao Sol é o Rubi. Isto se descreve nos textos védicos, especialmente no antigo texto sânscrito conhecido como Garuda Purana. Há também descrição da pedra semipreciosa para o Sol, que seria a Granada Vermelha. Estas pedras, quando bem facetadas ou lapidadas, estando em bom estado (sem bordas ou pontas quebradas, sem inclusões e com boa transparência) podem ser usadas pela pessoa que tem o Sol afetado durante o período planetário do Sol segundo o mapa dela, um período chamado Mahadasa ou durante o período menor do Sol chamado Antardasa. Usar a pedra em contato com a pele, com o corpo, pode ajudar a diminuir o aumento de Fogo ou Pitta que causa os desequilíbrios acima mencionados.

Gunesvara Dasa
Matéria: Gunesvara Dasa
Revisão: Raquel Nunes Fuin Abbud
Imagens: Stock.Up
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